sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os deslimites da palavra

VI

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
-Gostar de fazer defeitos na frase e muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas. . .
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios , não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.

Manoel de Barros

E aí galera... este é o primeiro trabalho que eu fiz para uma série de intervenções urbanas que eu chamo de "sacrifícios". Nestes trabalhos eu procuro fazer uma crítica ao homem que aceita suas condições e restrições impostas pela sociedade e não luta pela sua liberdade...

Espero que todos comentem para que possamos criar uma discussão e fortalecer não só a arte mas nosso intelecto... um grande abraço a todos.

9 comentários:

  1. o homem adora se distrair e se conformar com as coisas do "mundo", aceita a inércia e esquece de observá-lo realmente.

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  2. mto bom esse trabalho hein bruno... muito melhor ver o resultado do que só ouvir vc falar...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. "O exercício habitual das aptidões conscientemente adquiridas as vai aperfeiçoando."

    1
    Eu ainda pairo no abismo da incompreensão da aceitação/legitimação de uma inverdade como fundamento de uma vida.
    Difícil tarefa essa de entender o que conscientemente ignora a privação, quando sobreviver torna-se fim e fundamento.

    2
    Sou suficientemente ignorante pra admitir incapacidade de apreender a estética do trabalho, mesmo sabendo que sua percepção vai muito além desse parâmetro. O chato é que me envergonho disso, então que seria, um meio-passo em direção a outra quebra de conceito?
    (das Confissões Públicas Que Fiz)

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  5. Não pare de produzir brunão, seus trabalhos são muito bons!
    acredito que há muitas possibilidades ainda a serem trabalhadas...

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  6. "nada se cria, nada se perde, tudo se renova."
    uma obra de arte em 2 etapas: pelas mãos de um artesão e pelas mãos de um artista.

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  7. orgulho deixa a gnt bobo né? te amo.

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  8. Cadê as postagens novas??tô com saudade de vc...espero que esteja tudo bem!!
    Amo vc muitão meu pãozim di mel! =)

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  9. olha, sinceramente, eu não sei...

    para quem tem pena de ovelha - amarela de medo de depender do elano... abracos

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